Call for Papers | Aprender n.º 52. Tema central: Envelhecer em territórios de baixa densidade demográfica
Coordenação do Tema central:
- Alexandre Martins, Instituto Politécnico de Portalegre
- Raúl Cordeiro, Instituto Politécnico de Portalegre
O envelhecimento da população é, hoje, amplamente reconhecido como um dos fenómenos com um impacto mais profundo nas sociedades contemporâneas. Com efeito, trata-se, aqui, não apenas de uma alteração nos perfis demográficos, ou de uma mudança que possa ser lida, em exclusivo, através de indicadores epidemiológicos. O que está em causa é uma recomposição mais vasta das formas de vida, das relações entre gerações (no plano micro da família, como no plano macro da solidariedade intergeracional), dos regimes de cuidado e dos modos de organização dos sistemas de bem-estar social e de saúde pública. Por esta razão, em vários países europeus, marcados por declínios prolongados da fecundidade e pelo aumento da esperança de vida, o envelhecimento deixou, há muito, de poder ser tratado como uma questão setorial. Os processos de envelhecimento da população, se têm uma matriz demográfica, cruzam-se, todavia, com os mercados de trabalho, as estruturas familiares, a organização dos territórios, os sistemas de saúde e proteção social, bem como com a formulação das políticas públicas, de modo mais geral. Nesse sentido, envelhecer não é apenas viver mais anos; é fazê-lo em condições sociais, institucionais e territoriais muito diferenciadas. Apesar destas constatações, parte significativa da discussão sobre o envelhecimento e a velhice continua a privilegiar indicadores macro, diagnósticos agregados e respostas concebidas ao nível dos sistemas. Essa leitura é indispensável no seu nível próprio de análise, muito embora deixe, amiúde, em segundo plano as condições concretas, particulares, em que o envelhecimento é vivido, acompanhado e localmente governado. Ora, essas condições variam de modo sensível entre diferentes territórios, grupos sociais e redes familiares, como entre instituições e formas locais de organização da vida coletiva.
Nesta chamada de artigos, privilegiam-se reflexões conceptuais e estudos empíricos que abordem o envelhecimento como processo social e territorialmente situado. Serão, em particular, valorizados trabalhos que permitam compreender o(s) modo(s) como os territórios de baixa densidade populacional constituem contextos críticos, mas igualmente estratégicos, para observar a produção, intensificação, mitigação ou reconfiguração das vulnerabilidades associadas ao envelhecimento.
Importa, porém, evitar uma leitura meramente deficitária destes territórios. É certo que neles se tornam visíveis muitas fragilidades dos sistemas públicos, das redes familiares e dos dispositivos de cuidado. Mas não é menos verdade que aí também se ensaiam formas de proximidade, inovação social, cooperação comunitária, cuidado informal e experimentação local, as quais merecem ser conhecidas, discutidas e analisadas.
OBJETIVO:
O objetivo principal deste número é reunir contributos teóricos, metodológicos e empíricos que analisem o envelhecimento em territórios de baixa densidade demográfica enquanto processo social, territorial e institucionalmente diferenciado.
Convidamos, assim, à submissão de artigos que abordem, entre outros, os seguintes objetivos específicos:
- Equacionar o impacto do envelhecimento em territórios de baixa densidade demográfica nas trajetórias de vida, na autonomia, na participação social, na qualidade de vida e nas experiências quotidianas das pessoas mais velhas.
- Examinar a relação entre processos de envelhecimento, desigualdades sociais e vulnerabilidades territoriais, incluindo desigualdades no acesso a cuidados de saúde, apoio social, transportes, habitação, recursos económicos, redes de proximidade e oportunidades de participação cívica.
- Compreender como famílias, comunidades, instituições públicas, organizações sociais e profissionais respondem às necessidades de cuidado e apoio das pessoas mais velhas em contextos de dispersão populacional e menor cobertura de serviços.
- Estudar os efeitos das migrações (internas e externas) e dos processos de cuidado informais nas transformações das redes familiares e intergeracionais em territórios envelhecidos.
- Avaliar políticas públicas, modelos de governação local e respostas institucionais orientadas para o envelhecimento em territórios de baixa densidade.
- Explorar experiências de inovação social, comunitária, tecnológica ou organizacional que procurem reduzir vulnerabilidades associadas ao envelhecimento.
- Refletir sobre abordagens teóricas, metodológicas ou éticas em torno do estudo do envelhecimento em contextos territorialmente vulneráveis.
Submissão de artigos: até 30 de setembro de 2026
Revisão por pares: até 30 de outubro de 2026
Notificação aos/às autores/as sobre os resultados da revisão por pares: até 15 de novembro de 2026
Submissão final dos artigos aceites: até 30 de novembro de 2026
Publicação: dezembro de 2026
Todas as submissões devem seguir as instruções para autores/as disponíveis em: Instruções


